Elon Musk, visionário fundador de empresas disruptivas, assume agora o comando do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental dos Estados Unidos, com a missão de enfrentar a hipertrofia dos gastos públicos, prometendo cortar desperdícios e reduzir impostos para devolver aos cidadãos maior controle sobre os frutos do próprio trabalho. Musk tem apontado que os Estados Unidos gastam mais com os juros da dívida pública do que com a defesa nacional, uma prioridade histórica no orçamento americano. No Brasil não é diferente. A expansão descontrolada dos gastos públicos faz com que mesmo boas intenções se degenerem em transferências perversas de renda: as despesas financeiras com a dívida são maiores do que com os programas sociais. Essa mesma hipertrofia dos gastos públicos que causou no passado crises cambiais recorrentes, hiperinflação e endividamento galopante, hoje pressiona a inflação, eleva as taxas de juros e impulsiona o dólar.
Com os conservadores ao volante, os liberais vão de carona e os socialistas ficam na estrada. A civilização ocidental entrou em modo de sobrevivência, recorrendo às lideranças conservadoras em busca de proteção aos seus valores. Relações diplomáticas e acordos comerciais são agora orientados pela geopolítica, e não mais pela eficiência econômica.
O mundo não será o mesmo. A geopolítica é hoje o fator dominante, não é mais a economia. Os liberais foram para o banco de trás, os conservadores estão no banco da frente, os socialistas estão sendo empurrados para fora do caminhão, porque ficaram 30, 40, 50 anos com a hegemonia cultural. Está em xeque agora. A Rússia invade a Ucrânia e a Europa não tem como reagir. Recebe imigrantes, tem um welfare state extensivo a todo mundo, não consegue pagar pela própria defesa.
A abundância de recursos naturais não é garantia de prosperidade. Enquanto algumas nações – apesar de suas vastas reservas de petróleo, minérios e terras férteis – permanecem estagnadas ou até afundam na miséria, outras, sem grandes riquezas naturais, prosperam. São os investimentos, as inovações tecnológicas, o capital humano qualificado e as instituições sólidas que criam as condições para o crescimento econômico e permitem que os recursos naturais deixem de ser meras matérias-primas e se transformem em riqueza para a sociedade. Sem um arcabouço institucional que proteja a propriedade privada, garanta a segurança jurídica, estimule a livre iniciativa e fomente um ambiente de negócios que favoreça o empreendedorismo, a inovação e a eficiência, até mesmo países com abundantes recursos naturais podem fracassar.
Countries are not rich in proportion to their natural resources. If they were, Russia would now be the richest country in the world, Angola would be very rich, and there are many other countries that have a lot of natural resources, but they have not had an enterprise economy to develop those.
Diante das crescentes tensões geopolíticas, Estados Unidos e China devem assumir um papel de liderança para atenuar atritos entre seus respectivos aliados, já que ambos sofreriam grandes perdas com uma guerra aberta que interrompesse o comércio global e o fluxo internacional de investimentos. Embora seja pouco provável que essas tensões escalem para uma guerra mundial, a dimensão cibernética de um possível conflito seria crucial. Nesse contexto, enquanto os bancos centrais acumulam ouro, investidores buscam refúgio em “moedas digitais” privadas (como o Bitcoin e outras criptomoedas), procuradas como um hedge contra a descrença no valor das moedas fiduciárias pelo abalo da confiança no sistema financeiro tradicional.
Eu acho que os americanos e os chineses vão ter o juízo de saber que, como as duas maiores potências, cada um tem que virar para os seus associados e falar: "Olha, behave properly. Vamos parar com essa confusão aí, porque são os dois maiores perdedores. A China é a maior trade do mundo hoje. Parar o comércio mundial para a China é um desastre. É um mergulho no...
A China tornou-se o protagonista do comércio mundial ao descartar doutrinas econômicas marxistas e integrar-se ao capitalismo global, promovendo o maior processo de fuga da miséria na história da humanidade. Em um cenário de guerra mundial, a interrupção do comércio internacional e dos fluxos de investimento comprometeria dramaticamente a dinâmica de crescimento econômico do país. Por isso, apesar das crescentes tensões geopolíticas, é pouco provável que esse cenário se materialize.
A China é o capitalismo mais selvagem que o mundo já viu. É o maior comerciante do mundo. E quem comercia não gosta de guerra. Vai ter uma terceira guerra mundial? Não. Vai ter um barulho, vai parecer que vai ter. Na hora do vamo ver mesmo, a China vai pegar o irmão mais novo, a Rússia, e falar assim, se comporta porque tá estragando o meu negócio. Se comporta, cara, tá estragando o meu negócio. Eu sou o maior comerciante do mundo. O Brasil negociava com a China 3 bi por ano no início do século, ano 2000. E negociava com a França 3 bi. Hoje negocia com a França 7, negocia com a China 115.
Elon Musk, visionário fundador de empresas disruptivas, assume agora o comando do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental dos Estados Unidos, com a missão de enfrentar a hipertrofia dos gastos públicos, prometendo cortar desperdícios e reduzir impostos para devolver aos cidadãos maior controle sobre os frutos do próprio trabalho. Musk tem apontado que os Estados Unidos gastam mais com os juros da dívida pública do que com a defesa nacional, uma prioridade histórica no orçamento americano. No Brasil não é diferente. A expansão descontrolada dos gastos públicos faz com que mesmo boas intenções se degenerem em transferências perversas de renda: as despesas financeiras com a dívida são maiores do que com os programas sociais. Essa mesma hipertrofia dos gastos públicos que causou no passado crises cambiais recorrentes, hiperinflação e endividamento galopante, hoje pressiona a inflação, eleva as taxas de juros e impulsiona o dólar.
Com os conservadores ao volante, os liberais vão de carona e os socialistas ficam na estrada. A civilização ocidental entrou em modo de sobrevivência, recorrendo às lideranças conservadoras em busca de proteção aos seus valores. Relações diplomáticas e acordos comerciais são agora orientados pela geopolítica, e não mais pela eficiência econômica.
O mundo não será o mesmo. A geopolítica é hoje o fator dominante, não é mais a economia. Os liberais foram para o banco de trás, os conservadores estão no banco da frente, os socialistas estão sendo empurrados para fora do caminhão, porque ficaram 30, 40, 50 anos com a hegemonia cultural. Está em xeque agora. A Rússia invade a Ucrânia e a Europa não tem como reagir. Recebe imigrantes, tem um welfare state extensivo a todo mundo, não consegue pagar pela própria defesa.
A abundância de recursos naturais não é garantia de prosperidade. Enquanto algumas nações – apesar de suas vastas reservas de petróleo, minérios e terras férteis – permanecem estagnadas ou até afundam na miséria, outras, sem grandes riquezas naturais, prosperam. São os investimentos, as inovações tecnológicas, o capital humano qualificado e as instituições sólidas que criam as condições para o crescimento econômico e permitem que os recursos naturais deixem de ser meras matérias-primas e se transformem em riqueza para a sociedade. Sem um arcabouço institucional que proteja a propriedade privada, garanta a segurança jurídica, estimule a livre iniciativa e fomente um ambiente de negócios que favoreça o empreendedorismo, a inovação e a eficiência, até mesmo países com abundantes recursos naturais podem fracassar.
Countries are not rich in proportion to their natural resources. If they were, Russia would now be the richest country in the world, Angola would be very rich, and there are many other countries that have a lot of natural resources, but they have not had an enterprise economy to develop those.
Diante das crescentes tensões geopolíticas, Estados Unidos e China devem assumir um papel de liderança para atenuar atritos entre seus respectivos aliados, já que ambos sofreriam grandes perdas com uma guerra aberta que interrompesse o comércio global e o fluxo internacional de investimentos. Embora seja pouco provável que essas tensões escalem para uma guerra mundial, a dimensão cibernética de um possível conflito seria crucial. Nesse contexto, enquanto os bancos centrais acumulam ouro, investidores buscam refúgio em “moedas digitais” privadas (como o Bitcoin e outras criptomoedas), procuradas como um hedge contra a descrença no valor das moedas fiduciárias pelo abalo da confiança no sistema financeiro tradicional.
Eu acho que os americanos e os chineses vão ter o juízo de saber que, como as duas maiores potências, cada um tem que virar para os seus associados e falar: "Olha, behave properly. Vamos parar com essa confusão aí, porque são os dois maiores perdedores. A China é a maior trade do mundo hoje. Parar o comércio mundial para a China é um desastre. É um mergulho no...
A China tornou-se o protagonista do comércio mundial ao descartar doutrinas econômicas marxistas e integrar-se ao capitalismo global, promovendo o maior processo de fuga da miséria na história da humanidade. Em um cenário de guerra mundial, a interrupção do comércio internacional e dos fluxos de investimento comprometeria dramaticamente a dinâmica de crescimento econômico do país. Por isso, apesar das crescentes tensões geopolíticas, é pouco provável que esse cenário se materialize.
A China é o capitalismo mais selvagem que o mundo já viu. É o maior comerciante do mundo. E quem comercia não gosta de guerra. Vai ter uma terceira guerra mundial? Não. Vai ter um barulho, vai parecer que vai ter. Na hora do vamo ver mesmo, a China vai pegar o irmão mais novo, a Rússia, e falar assim, se comporta porque tá estragando o meu negócio. Se comporta, cara, tá estragando o meu negócio. Eu sou o maior comerciante do mundo. O Brasil negociava com a China 3 bi por ano no início do século, ano 2000. E negociava com a França 3 bi. Hoje negocia com a França 7, negocia com a China 115.
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Economista, PhD pela Universidade de Chicago, Ministro da Economia (2019-2022)
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