@negritudemletras
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Se você perguntar para as pessoas em uma sala lotada como elas identificam sua raça/ cor, as respostas provavelmente serão diversas e, em muitos casos, contraditórias. O vídeo acima é de uma reportagem do The Globe and mail e está disponível no YT com o título "Why race in Brazil is a confused, loaded topic?" Todos os entrevistados são da mesma família e muitos não tem um consenso sobre como identificam a si mesmos e aos outros. Entre os depoimentos, destacam-se especialmente os relatos de pessoas que se identificam como pardas ou brancas. O (IBGE) utiliza um sistema de autodeclaração de cor ou raça que reconhece cinco categorias: branca, preta, parda, amarela (de ascendência asiática) e indígena. A categoria parda é utilizada para designar pessoas de descendência mista. O próprio IBGE, nas análises de desigualdade racial, considera pretos e pardos juntos como a população negra brasileira. Isso se deve ao fato de que, na prática social e estatística, ambos os grupos estão sujeitos a formas semelhantes de exclusão e racismo. No entanto, essa linha não é tão nítida nas relações cotidianas. No vídeo, vemos isso: Jessica, de pele mais clara se declara preta, embora seja parda. Já Isabella, sua prima, ao observar seu cabelo liso, a identifica como branca. Danielle, por sua vez, afirma que sua filha é branca, mesmo reconhecendo que ela é “misturada”, mestiça, ou seja, parda. Outro trecho importante do vídeo é quando uma mulher socialmente vista como branca afirma que sua cor “nunca influenciou em nada”. Essa contradição revela como o privilégio branco é muitas vezes invisibilizado por quem o possui, tornando-se parte naturalizada da vida o que contribui diretamente para a manutenção da hierarquia racial no país. Outro relato importante vem de uma mulher negra que foi apelidada de macaca pelas irmãs brancas. O que mostra como o racismo também pode estar dentro das famílias, nos apelidos, nas preferências, nos silêncios. Falar sobre raça ainda confunde muita gente. Mas é justamente por isso que essa conversa é tão necessária. Porque enquanto não compreendermos como a cor/raça molda nossas relações, continuaremos reproduzindo desigualdades.
Apesar de hoje termos muitas obras infantojuvenis, com histórias diversas e plurais, que resgatam e valorizam a ancestralidade negra indígena. Sempre me deparo com o debate sobre algumas obras "consideradas clássicas" de Monteiro Lobato. A partir de um diálogo com um colega da área de Letras, em que ele exaltava o mérito de Monteiro Lobato. Resolvi gravar esse vídeo analisando um trecho da obra Reinações de Narizinho, edição de 2019. A obra foi publicada em 1931 e apresenta uma série de estereótipos ofensivos e racistas. Outro livro mencionado é o presidente negro, publicado em 1926. Inclusive, o romance foi recusado no mercado estadunidense, por conta do forte teor racista da obra. E olha que lá vigoravam as leis racistas de segregação. Segue o fio...
Monteiro Lobato, famoso pelo sítio do pica-pau amarelo, usava termos ofensivos para se referir a pessoas negras em suas obras, como macaca de carvão, carne preta, mei suda. Olha só esse trecho do livro Renações de Narizinho. Também apresento a princesa Anastasia. Não reparem ser preta, é preta só por
Você sabe o que é slam? Slam é mais do que poesia. Surgido nas ruas de Chicago nos anos 1980, ele atravessou fronteiras e encontrou abrigo nas cidades, nas periferias, nos becos, nas praças, nas salas de aula do Brasil. O slam é uma possibilidade pra quem nunca teve microfone. É arte que denuncia, que emociona, que confronta. Nele, cada palavra é escolhida com precisão, mas dita com emoção. Não precisa rimar, mas precisa impactar. Quem sobe no palco não declama versos bonitos para agradar, mas solta verdades que incomodam, sobre racismo, machismo, homofobia, pobreza, apagamentos. É poesia viva, dita com o peito aberto e os punhos cerrados. No slam, não há plateia passiva. O público sente, vibra, julga. Em muitos campeonatos, é ele quem decide quem vence. O slam acima é da maravilhosa Midria @iamidria
O professor César Augusto Mendes Cruz pediu demissão da Escola Municipal Major Olímpio, em Ilhabela (SP) após ser alvo de ataques por conta de uma aula sobre o conceito de tempo. A atividade, voltada para alunos do sexto ano, apresentava diferentes visões culturais sobre o tempo a partir do mito iorubá de Irokô, da figura de Cronos da mitologia grega, de obras de arte europeias e da música “Oração ao Tempo”, de Caetano Veloso. A proposta gerou reações negativas de pais que se opuseram ao conteúdo, influenciados por discursos conservadores. Situação semelhante ocorreu no Ceará, onde uma deputada criticou a Secretaria de Educação por incluir em materiais sobre relações étnicorraciais a reflexão de que a religião cristã e a cultura ocidental contribuíram para invisibilizar a história de povos negros e indígenas A parlamentar, que tem forte apoio popular, reforça uma visão reducionista da história, apagando debates fundamentais sobre diversidade cultural. Esses episódios se conectam com um dado preocupante: segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), cerca de 3 em cada 10 brasileiros não conseguem interpretar textos, reconhecer símbolos ou estabelecer relações entre ideias. O que esses dados nos indicam sobre estes discursos fundamentalistas e reducionistas que têm crescido?
Branco no Brasil, pessoa de cor no exterior. Raça é uma construção social com efeitos na realidade cotidiana. Ela organiza o mundo, estrutura relações e sustenta hierarquias. A forma como somos percebidos racialmente muda de acordo com o contexto e isso revela muito sobre como os espaços sociais, simbólicos e institucionais foram moldados em torno da branquitude. 🎥 Assista ao vídeo completo no canal Negritude em Letras, no YT.
Se você perguntar para as pessoas em uma sala lotada como elas identificam sua raça/ cor, as respostas provavelmente serão diversas e, em muitos casos, contraditórias. O vídeo acima é de uma reportagem do The Globe and mail e está disponível no YT com o título "Why race in Brazil is a confused, loaded topic?" Todos os entrevistados são da mesma família e muitos não tem um consenso sobre como identificam a si mesmos e aos outros. Entre os depoimentos, destacam-se especialmente os relatos de pessoas que se identificam como pardas ou brancas. O (IBGE) utiliza um sistema de autodeclaração de cor ou raça que reconhece cinco categorias: branca, preta, parda, amarela (de ascendência asiática) e indígena. A categoria parda é utilizada para designar pessoas de descendência mista. O próprio IBGE, nas análises de desigualdade racial, considera pretos e pardos juntos como a população negra brasileira. Isso se deve ao fato de que, na prática social e estatística, ambos os grupos estão sujeitos a formas semelhantes de exclusão e racismo. No entanto, essa linha não é tão nítida nas relações cotidianas. No vídeo, vemos isso: Jessica, de pele mais clara se declara preta, embora seja parda. Já Isabella, sua prima, ao observar seu cabelo liso, a identifica como branca. Danielle, por sua vez, afirma que sua filha é branca, mesmo reconhecendo que ela é “misturada”, mestiça, ou seja, parda. Outro trecho importante do vídeo é quando uma mulher socialmente vista como branca afirma que sua cor “nunca influenciou em nada”. Essa contradição revela como o privilégio branco é muitas vezes invisibilizado por quem o possui, tornando-se parte naturalizada da vida o que contribui diretamente para a manutenção da hierarquia racial no país. Outro relato importante vem de uma mulher negra que foi apelidada de macaca pelas irmãs brancas. O que mostra como o racismo também pode estar dentro das famílias, nos apelidos, nas preferências, nos silêncios. Falar sobre raça ainda confunde muita gente. Mas é justamente por isso que essa conversa é tão necessária. Porque enquanto não compreendermos como a cor/raça molda nossas relações, continuaremos reproduzindo desigualdades.
Apesar de hoje termos muitas obras infantojuvenis, com histórias diversas e plurais, que resgatam e valorizam a ancestralidade negra indígena. Sempre me deparo com o debate sobre algumas obras "consideradas clássicas" de Monteiro Lobato. A partir de um diálogo com um colega da área de Letras, em que ele exaltava o mérito de Monteiro Lobato. Resolvi gravar esse vídeo analisando um trecho da obra Reinações de Narizinho, edição de 2019. A obra foi publicada em 1931 e apresenta uma série de estereótipos ofensivos e racistas. Outro livro mencionado é o presidente negro, publicado em 1926. Inclusive, o romance foi recusado no mercado estadunidense, por conta do forte teor racista da obra. E olha que lá vigoravam as leis racistas de segregação. Segue o fio...
Monteiro Lobato, famoso pelo sítio do pica-pau amarelo, usava termos ofensivos para se referir a pessoas negras em suas obras, como macaca de carvão, carne preta, mei suda. Olha só esse trecho do livro Renações de Narizinho. Também apresento a princesa Anastasia. Não reparem ser preta, é preta só por
Você sabe o que é slam? Slam é mais do que poesia. Surgido nas ruas de Chicago nos anos 1980, ele atravessou fronteiras e encontrou abrigo nas cidades, nas periferias, nos becos, nas praças, nas salas de aula do Brasil. O slam é uma possibilidade pra quem nunca teve microfone. É arte que denuncia, que emociona, que confronta. Nele, cada palavra é escolhida com precisão, mas dita com emoção. Não precisa rimar, mas precisa impactar. Quem sobe no palco não declama versos bonitos para agradar, mas solta verdades que incomodam, sobre racismo, machismo, homofobia, pobreza, apagamentos. É poesia viva, dita com o peito aberto e os punhos cerrados. No slam, não há plateia passiva. O público sente, vibra, julga. Em muitos campeonatos, é ele quem decide quem vence. O slam acima é da maravilhosa Midria @iamidria
O professor César Augusto Mendes Cruz pediu demissão da Escola Municipal Major Olímpio, em Ilhabela (SP) após ser alvo de ataques por conta de uma aula sobre o conceito de tempo. A atividade, voltada para alunos do sexto ano, apresentava diferentes visões culturais sobre o tempo a partir do mito iorubá de Irokô, da figura de Cronos da mitologia grega, de obras de arte europeias e da música “Oração ao Tempo”, de Caetano Veloso. A proposta gerou reações negativas de pais que se opuseram ao conteúdo, influenciados por discursos conservadores. Situação semelhante ocorreu no Ceará, onde uma deputada criticou a Secretaria de Educação por incluir em materiais sobre relações étnicorraciais a reflexão de que a religião cristã e a cultura ocidental contribuíram para invisibilizar a história de povos negros e indígenas A parlamentar, que tem forte apoio popular, reforça uma visão reducionista da história, apagando debates fundamentais sobre diversidade cultural. Esses episódios se conectam com um dado preocupante: segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), cerca de 3 em cada 10 brasileiros não conseguem interpretar textos, reconhecer símbolos ou estabelecer relações entre ideias. O que esses dados nos indicam sobre estes discursos fundamentalistas e reducionistas que têm crescido?
Branco no Brasil, pessoa de cor no exterior. Raça é uma construção social com efeitos na realidade cotidiana. Ela organiza o mundo, estrutura relações e sustenta hierarquias. A forma como somos percebidos racialmente muda de acordo com o contexto e isso revela muito sobre como os espaços sociais, simbólicos e institucionais foram moldados em torno da branquitude. 🎥 Assista ao vídeo completo no canal Negritude em Letras, no YT.
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