@a.roselimendonca
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Cristã, esposa, mãe de 3 Escritora & Acadêmica de Psicologia Meus livros, aulas e cursos aqui 👇🏼
É noite. Família reunida. Durante o jantar, conto para meu filho do meio sobre quando ele, prestes a fazer três anos, era incansável procurando seu carrinho “hotwilson”. Falo com saudade daqueles dias. Mas ele parece desconhecer capítulos de sua própria história. A mais velha se lembra da primeira escola, do primeiro dia de aula, mas não recorda dos meus olhos vermelhos voltando para buscá-la. A filha mais nova, minha adolescente, ri quando digo que passou uma semana com o nariz ralado por ter caído da cama. Momentos tão vivos em mim , são para eles causos esquecidos de infância narrados pela mamãe. O pai e eu nos despedimos e seguimos para nossa casa. A casa que era cheia. Agora, nós dois. Conseguimos terminar frases, não há ninguém avisando que fez cocô. Não mais nos perguntamos quem prefere ficar com o banho das crianças ou com o jantar. Assumimos apenas a nós mesmos e podemos dormir cedo. Sei que haverá muita alegria nesses dias. Principalmente se pudermos dormir em paz com nossa jornada como família. Mas confesso que tenho medo. E não é medo de sentir saudades de um tempo que não volta mais. A saudade eu quero. O que não quero é o arrependimento por viver apressadamente, distraída, distante. Não quero que voltem a ser criança para caber no meu colo. Quero contar histórias dos muitos colos que dei. Quero celebrar cada fase. Digo “shiiiiu!” para meus pensamentos. Seco as lágrimas e entro no quarto para dar um beijo. É noite. Sexta-feira 22 de março de 2024. Meus filhos dormem. Uma tem seis, o outro de três e a “mar miudunha” de um ano. Beijo, cheiro e passo a mão em seus cabelos. Fecho a porta com duas certezas: A de que logo mais um dos menores vai despertar e interromper meu sono. E a de que ainda é tempo. E é nesse tempo que quero morar agora. Texto: @a.roselimendonca
Compensa ter filhos? Cada vez que me perguntam isso, digo: depende. E por achar que essa não seja a melhor pergunta, devolvo com outra questão: “você quer amar filhos?” Pois filho requer um tipo de amor específico que talvez nunca tenhamos experimentado. A maternidade e a paternidade (assim como o casamento) são uma brecha para descobrir que amor é esse. O amor pessoa -pessoa, de natureza mais elevada e diferente do amor pessoa-coisa. O amor “pessoa-coisa” deseja algo que encha nosso peito de satisfação. Não amamos a coisa, amamos o prazer que ela nos traz. É assim com sapatos, perfumes, carros, viagens, títulos acadêmicos, cargos e funções. Daí um filho chega e nos mostra que ele não existe para nos satisfazer. Na verdade, ele nos consome, exige entrega. O amor “pessoa-pessoa” é desinteressado. Procura o bem de quem é amado. Deseja sua felicidade. Não através de uma simples torcida, mas com a própria vida. É por isso que mesmo cansadas não conseguimos dar as costas ao bebê e fingir que nada temos a ver com seu choro. Quem nunca sentiu um pouco de frescor ao enrolar o filho na toalha depois daquele banho num dia quente? E nossa satisfação ao vê-lo de barriguinha cheia? Parece até que respiramos melhor quando sai toda a meleca do nariz deles na lavagem nasal. E o dia em que saem pedalando na bicicleta sem rodinhas? Um marco. Corremos para o abraço como quem comemora um gol em final de copa do mundo. É, filho tem seu custo, mas seu valor excede qualquer bem material. Mas quando coisificamos pessoas, ter filho nunca compensa. Pois para só vale a pena o benefício as coisas perecíveis nos dão. Ouso dizer que quem tem filho e os ama com o amor pessoa-coisa, nunca os teve de verdade. Que nossos filhos sejam amados por quem são. Que nosso amor doado seja de pessoa para pessoa. Texto: Roseli Mendonça
É noite. Família reunida. Durante o jantar, conto para meu filho do meio sobre quando ele, prestes a fazer três anos, era incansável procurando seu carrinho “hotwilson”. Falo com saudade daqueles dias. Mas ele parece desconhecer capítulos de sua própria história. A mais velha se lembra da primeira escola, do primeiro dia de aula, mas não recorda dos meus olhos vermelhos voltando para buscá-la. A filha mais nova, minha adolescente, ri quando digo que passou uma semana com o nariz ralado por ter caído da cama. Momentos tão vivos em mim , são para eles causos esquecidos de infância narrados pela mamãe. O pai e eu nos despedimos e seguimos para nossa casa. A casa que era cheia. Agora, nós dois. Conseguimos terminar frases, não há ninguém avisando que fez cocô. Não mais nos perguntamos quem prefere ficar com o banho das crianças ou com o jantar. Assumimos apenas a nós mesmos e podemos dormir cedo. Sei que haverá muita alegria nesses dias. Principalmente se pudermos dormir em paz com nossa jornada como família. Mas confesso que tenho medo. E não é medo de sentir saudades de um tempo que não volta mais. A saudade eu quero. O que não quero é o arrependimento por viver apressadamente, distraída, distante. Não quero que voltem a ser criança para caber no meu colo. Quero contar histórias dos muitos colos que dei. Quero celebrar cada fase. Digo “shiiiiu!” para meus pensamentos. Seco as lágrimas e entro no quarto para dar um beijo. É noite. Sexta-feira 22 de março de 2024. Meus filhos dormem. Uma tem seis, o outro de três e a “mar miudunha” de um ano. Beijo, cheiro e passo a mão em seus cabelos. Fecho a porta com duas certezas: A de que logo mais um dos menores vai despertar e interromper meu sono. E a de que ainda é tempo. E é nesse tempo que quero morar agora. Texto: @a.roselimendonca
Compensa ter filhos? Cada vez que me perguntam isso, digo: depende. E por achar que essa não seja a melhor pergunta, devolvo com outra questão: “você quer amar filhos?” Pois filho requer um tipo de amor específico que talvez nunca tenhamos experimentado. A maternidade e a paternidade (assim como o casamento) são uma brecha para descobrir que amor é esse. O amor pessoa -pessoa, de natureza mais elevada e diferente do amor pessoa-coisa. O amor “pessoa-coisa” deseja algo que encha nosso peito de satisfação. Não amamos a coisa, amamos o prazer que ela nos traz. É assim com sapatos, perfumes, carros, viagens, títulos acadêmicos, cargos e funções. Daí um filho chega e nos mostra que ele não existe para nos satisfazer. Na verdade, ele nos consome, exige entrega. O amor “pessoa-pessoa” é desinteressado. Procura o bem de quem é amado. Deseja sua felicidade. Não através de uma simples torcida, mas com a própria vida. É por isso que mesmo cansadas não conseguimos dar as costas ao bebê e fingir que nada temos a ver com seu choro. Quem nunca sentiu um pouco de frescor ao enrolar o filho na toalha depois daquele banho num dia quente? E nossa satisfação ao vê-lo de barriguinha cheia? Parece até que respiramos melhor quando sai toda a meleca do nariz deles na lavagem nasal. E o dia em que saem pedalando na bicicleta sem rodinhas? Um marco. Corremos para o abraço como quem comemora um gol em final de copa do mundo. É, filho tem seu custo, mas seu valor excede qualquer bem material. Mas quando coisificamos pessoas, ter filho nunca compensa. Pois para só vale a pena o benefício as coisas perecíveis nos dão. Ouso dizer que quem tem filho e os ama com o amor pessoa-coisa, nunca os teve de verdade. Que nossos filhos sejam amados por quem são. Que nosso amor doado seja de pessoa para pessoa. Texto: Roseli Mendonça
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