@psicanalise_contemporanea_
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Créditos @ronaldofialho.oficial ❤️ Julgamos menos pelo que algo é e mais pelo efeito que produz no nosso olhar. A borboleta é poupada porque agrada. A barata é exterminada porque incomoda. O critério não é ético, é estético. O bem e o mal muitas vezes não se organizam pela justiça, mas pelo gosto, pela repulsa, pelo medo. Chamamos de bondade aquilo que nos dá prazer e de maldade aquilo que nos confronta. A moral passa a funcionar como defesa, não como reflexão. O que brilha é facilmente santificado. O que desagrada é rapidamente condenado. Assim, a aparência ganha mais peso que a verdade, e o incômodo é tratado como falha do outro, não como algo a ser interrogado em nós. Desconfiar dessa moral é um trabalho ético. Exige suportar ver valor onde o olhar comum só vê feiura. Exige abrir mão do conforto de repetir o juízo da maioria. A verdade começa quando o sujeito deixa de julgar para agradar e passa a olhar para se responsabilizar pelo próprio critério. Talvez a pergunta mais importante não seja se algo é bom ou mau, mas de onde vem esse julgamento? Do que é justo ou do que apenas nos parece suportável?
O álcool, diferentemente de outras drogas, ocupa um lugar ambíguo em nossa cultura: é, ao mesmo tempo, socialmente aceito e silenciosamente devastador. A psicanálise nos ajuda a pensar esse fenômeno para além da substância em si, interrogando o que está em jogo no sujeito quando o recurso à bebida se torna uma saída recorrente. O álcool pode operar como defesa contra a angústia, como tentativa de silenciar o real que insiste, ou ainda como um modo de regular o gozo quando este se torna insuportável. Mas o ponto essencial é que a dependência nunca é apenas individual, ela se tece no laço social. A família, os amigos, o ambiente cultural participam ativamente da manutenção ou da ruptura desse circuito. Por isso, pensar o alcoolismo não é apenas falar de uma doença, mas de um sintoma social que revela o quanto vivemos em uma cultura adicta, sempre em busca de objetos que prometem aliviar a falta estrutural que nos habita. É aqui que a análise mostra sua força. A terapia não se propõe a extirpar o desejo ou a impor abstinência pela via moral, mas a oferecer ao sujeito um espaço para reconhecer o que sustenta sua adicção. Elaborar o que se tenta calar com a substância, dar palavras ao mal-estar que se cristaliza no corpo, abrir a possibilidade de novos arranjos para lidar com a falta. Nesse processo, a compulsão pode perder o caráter de destino e se transformar em um ponto de invenção, onde a vida não se reduz à repetição do mesmo. Vídeo "PAOLLA OLIVEIRA | CONVERSA VAI, CONVERSA VEM | Por Maria Fortuna" @paollaoliveirareal @mariafortuna27
Dona Ivone Lara, uma jóia rara...🎼❤️ Ivone Lara é uma ferida e uma revolução na história da música brasileira. Sua trajetória expõe o quanto o talento feminino sempre precisou pedir licença para existir. Durante anos, Ivone compôs sambas que outros homens assinavam. Era a regra silenciosa de um meio onde a mulher podia cantar, mas não criar. O samba, esse espaço de liberdade, ainda reproduzia a mesma prisão simbólica de sempre: o masculino como voz, o feminino como eco. Mas Ivone atravessou o silêncio. Trabalhou como enfermeira junto de Nise da Silveira, compôs nas madrugadas, ofereceu suas músicas ao mundo mesmo quando não podia assiná-las. E, ainda assim, foi a primeira mulher a ter o nome reconhecido como compositora de um samba-enredo. Sua história revela o avesso da genialidade feminina: a genialidade que precisou se disfarçar para sobreviver. A misoginia não se mostra apenas na exclusão explícita, mas também nas sutilezas que fazem uma mulher duvidar de si, achar que não é hora, que não é lugar, que não é possível. A psicanálise poderia dizer que Ivone rompeu o pacto do recalque social do feminino. Ela cantou o que tantas foram impedidas de dizer. Transformou a interdição em melodia, a dor em ritmo, o apagamento em memória coletiva. Vídeo "Marisa Monte foi ao TSE, seu discurso emocionou Cármen Lúcia e vai emocionar você!" @marisamonte Sua voz não foi apenas música. Foi reparação simbólica. Foi o desejo de uma mulher se tornando discurso e ecoando onde antes só havia silêncio.
@deborablochoficial toca num ponto essencial quando cita Jung ao falar do fascínio que o público sente pelos vilões. Para Jung, os personagens sombrios da ficção são manifestações dos arquétipos que habitam o inconsciente coletivo, especialmente aquele que ele chamou de Sombra, a parte rejeitada, recalcada ou negada de nós mesmos. A Sombra não é necessariamente “má”, mas representa tudo o que o ego não quer reconhecer. É o depósito dos impulsos, desejos e afetos que contradizem a imagem ideal que fazemos de nós. Por isso, os vilões têm tanto poder simbólico: eles encarnam, de forma visível e segura, aquilo que o sujeito não pode admitir em si. Quando o público se encanta por uma personagem como Odete Roitman, Carminha ou Nazaré, não é apenas pelo prazer do escândalo ou da crueldade, mas porque algo nelas nos devolve uma parte reprimida da nossa humanidade. A ficção cria o espaço protegido para que possamos olhar para o mal sem sermos engolidos por ele. É uma forma de catarse, como lembrava Aristóteles, mas também de elaboração simbólica. Na visão junguiana, o confronto com a Sombra é uma etapa inevitável do processo de individuação, o caminho para a inteireza psíquica. Reconhecer o próprio lado obscuro (o ódio, a inveja, a manipulação, a ambição) não é sucumbir a ele, mas integrá-lo à consciência, impedindo que atue de modo inconsciente e destrutivo. Por isso, a ficção cumpre uma função psíquica importante: ao dar rosto e voz à maldade, ela permite que o espectador a veja, a reconheça e, em alguma medida, a elabore. O vilão, longe de ser apenas o oposto do herói, é o espelho de tudo o que o herói tenta negar. E talvez o público ame essas figuras justamente porque, nelas, encontra a liberdade de ser o que a moral e o superego não permitem... pelo menos, enquanto dura o capítulo. Vídeo "DEBORA BLOCH | CONVERSA VAI, CONVERSA VEM | Por Maria Fortuna"
Perder alguém não é apenas perder a presença física dessa pessoa, mas perder também o olhar que ela lançava sobre nós. Carolina Dieckmann toca nesse ponto delicado: o luto não é só ausência do outro, é também a ausência de um certo modo de sermos vistos, reconhecidos e amados. A psicanálise nos mostra que o olhar do outro funda nossa experiência de existir. Não se trata apenas do afeto materno ou da presença paterna, mas da inscrição que esse olhar deixa em nós: uma marca de reconhecimento que nos sustenta e nos constitui como sujeitos. Quando a morte retira esse olhar, o vazio que se abre não é apenas de quem partiu, mas do reflexo de nós mesmos que se perde junto. O trabalho do luto, nesse sentido, não é esquecer nem substituir, mas encontrar modos de elaborar essa falta para que ela não se transforme em pura melancolia. Elaborar o luto é permitir que o desejo reencontre caminhos, mesmo diante da ausência irremediável. É também reconhecer que, ainda que aquele olhar não exista mais no mundo, ele segue existindo em nós, como presença interna. Vídeo "CAROLINA DIECKMANN | CONVERSA VAI, CONVERSA VEM | Por Maria Fortuna" @loracarola @mariafortuna27
Créditos @ronaldofialho.oficial ❤️ Julgamos menos pelo que algo é e mais pelo efeito que produz no nosso olhar. A borboleta é poupada porque agrada. A barata é exterminada porque incomoda. O critério não é ético, é estético. O bem e o mal muitas vezes não se organizam pela justiça, mas pelo gosto, pela repulsa, pelo medo. Chamamos de bondade aquilo que nos dá prazer e de maldade aquilo que nos confronta. A moral passa a funcionar como defesa, não como reflexão. O que brilha é facilmente santificado. O que desagrada é rapidamente condenado. Assim, a aparência ganha mais peso que a verdade, e o incômodo é tratado como falha do outro, não como algo a ser interrogado em nós. Desconfiar dessa moral é um trabalho ético. Exige suportar ver valor onde o olhar comum só vê feiura. Exige abrir mão do conforto de repetir o juízo da maioria. A verdade começa quando o sujeito deixa de julgar para agradar e passa a olhar para se responsabilizar pelo próprio critério. Talvez a pergunta mais importante não seja se algo é bom ou mau, mas de onde vem esse julgamento? Do que é justo ou do que apenas nos parece suportável?
O álcool, diferentemente de outras drogas, ocupa um lugar ambíguo em nossa cultura: é, ao mesmo tempo, socialmente aceito e silenciosamente devastador. A psicanálise nos ajuda a pensar esse fenômeno para além da substância em si, interrogando o que está em jogo no sujeito quando o recurso à bebida se torna uma saída recorrente. O álcool pode operar como defesa contra a angústia, como tentativa de silenciar o real que insiste, ou ainda como um modo de regular o gozo quando este se torna insuportável. Mas o ponto essencial é que a dependência nunca é apenas individual, ela se tece no laço social. A família, os amigos, o ambiente cultural participam ativamente da manutenção ou da ruptura desse circuito. Por isso, pensar o alcoolismo não é apenas falar de uma doença, mas de um sintoma social que revela o quanto vivemos em uma cultura adicta, sempre em busca de objetos que prometem aliviar a falta estrutural que nos habita. É aqui que a análise mostra sua força. A terapia não se propõe a extirpar o desejo ou a impor abstinência pela via moral, mas a oferecer ao sujeito um espaço para reconhecer o que sustenta sua adicção. Elaborar o que se tenta calar com a substância, dar palavras ao mal-estar que se cristaliza no corpo, abrir a possibilidade de novos arranjos para lidar com a falta. Nesse processo, a compulsão pode perder o caráter de destino e se transformar em um ponto de invenção, onde a vida não se reduz à repetição do mesmo. Vídeo "PAOLLA OLIVEIRA | CONVERSA VAI, CONVERSA VEM | Por Maria Fortuna" @paollaoliveirareal @mariafortuna27
Dona Ivone Lara, uma jóia rara...🎼❤️ Ivone Lara é uma ferida e uma revolução na história da música brasileira. Sua trajetória expõe o quanto o talento feminino sempre precisou pedir licença para existir. Durante anos, Ivone compôs sambas que outros homens assinavam. Era a regra silenciosa de um meio onde a mulher podia cantar, mas não criar. O samba, esse espaço de liberdade, ainda reproduzia a mesma prisão simbólica de sempre: o masculino como voz, o feminino como eco. Mas Ivone atravessou o silêncio. Trabalhou como enfermeira junto de Nise da Silveira, compôs nas madrugadas, ofereceu suas músicas ao mundo mesmo quando não podia assiná-las. E, ainda assim, foi a primeira mulher a ter o nome reconhecido como compositora de um samba-enredo. Sua história revela o avesso da genialidade feminina: a genialidade que precisou se disfarçar para sobreviver. A misoginia não se mostra apenas na exclusão explícita, mas também nas sutilezas que fazem uma mulher duvidar de si, achar que não é hora, que não é lugar, que não é possível. A psicanálise poderia dizer que Ivone rompeu o pacto do recalque social do feminino. Ela cantou o que tantas foram impedidas de dizer. Transformou a interdição em melodia, a dor em ritmo, o apagamento em memória coletiva. Vídeo "Marisa Monte foi ao TSE, seu discurso emocionou Cármen Lúcia e vai emocionar você!" @marisamonte Sua voz não foi apenas música. Foi reparação simbólica. Foi o desejo de uma mulher se tornando discurso e ecoando onde antes só havia silêncio.
@deborablochoficial toca num ponto essencial quando cita Jung ao falar do fascínio que o público sente pelos vilões. Para Jung, os personagens sombrios da ficção são manifestações dos arquétipos que habitam o inconsciente coletivo, especialmente aquele que ele chamou de Sombra, a parte rejeitada, recalcada ou negada de nós mesmos. A Sombra não é necessariamente “má”, mas representa tudo o que o ego não quer reconhecer. É o depósito dos impulsos, desejos e afetos que contradizem a imagem ideal que fazemos de nós. Por isso, os vilões têm tanto poder simbólico: eles encarnam, de forma visível e segura, aquilo que o sujeito não pode admitir em si. Quando o público se encanta por uma personagem como Odete Roitman, Carminha ou Nazaré, não é apenas pelo prazer do escândalo ou da crueldade, mas porque algo nelas nos devolve uma parte reprimida da nossa humanidade. A ficção cria o espaço protegido para que possamos olhar para o mal sem sermos engolidos por ele. É uma forma de catarse, como lembrava Aristóteles, mas também de elaboração simbólica. Na visão junguiana, o confronto com a Sombra é uma etapa inevitável do processo de individuação, o caminho para a inteireza psíquica. Reconhecer o próprio lado obscuro (o ódio, a inveja, a manipulação, a ambição) não é sucumbir a ele, mas integrá-lo à consciência, impedindo que atue de modo inconsciente e destrutivo. Por isso, a ficção cumpre uma função psíquica importante: ao dar rosto e voz à maldade, ela permite que o espectador a veja, a reconheça e, em alguma medida, a elabore. O vilão, longe de ser apenas o oposto do herói, é o espelho de tudo o que o herói tenta negar. E talvez o público ame essas figuras justamente porque, nelas, encontra a liberdade de ser o que a moral e o superego não permitem... pelo menos, enquanto dura o capítulo. Vídeo "DEBORA BLOCH | CONVERSA VAI, CONVERSA VEM | Por Maria Fortuna"
Perder alguém não é apenas perder a presença física dessa pessoa, mas perder também o olhar que ela lançava sobre nós. Carolina Dieckmann toca nesse ponto delicado: o luto não é só ausência do outro, é também a ausência de um certo modo de sermos vistos, reconhecidos e amados. A psicanálise nos mostra que o olhar do outro funda nossa experiência de existir. Não se trata apenas do afeto materno ou da presença paterna, mas da inscrição que esse olhar deixa em nós: uma marca de reconhecimento que nos sustenta e nos constitui como sujeitos. Quando a morte retira esse olhar, o vazio que se abre não é apenas de quem partiu, mas do reflexo de nós mesmos que se perde junto. O trabalho do luto, nesse sentido, não é esquecer nem substituir, mas encontrar modos de elaborar essa falta para que ela não se transforme em pura melancolia. Elaborar o luto é permitir que o desejo reencontre caminhos, mesmo diante da ausência irremediável. É também reconhecer que, ainda que aquele olhar não exista mais no mundo, ele segue existindo em nós, como presença interna. Vídeo "CAROLINA DIECKMANN | CONVERSA VAI, CONVERSA VEM | Por Maria Fortuna" @loracarola @mariafortuna27
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