@pretaderodinhas
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✍🏾Escritora | Comunicóloga 👩🏾🏫Pesquisadora @necraf.ufrj 🎥Cinema, fé e cultura pop ⬇️ Garanta já “Sombras e Luzes”
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Aqui no Rio, nós temos, além de tiroteios e drones com bombas, frequentes enchentes. Não precisa ser uma chuva torrencial. Uma chuva modesta é o suficiente para transformar as principais vias da cidade em rios. É tão comum que há quem pense que jet ski pode ser um objeto viável.🤡 Na verdade, enchente é um evento tão histórico na cidade do Rio que você encontra relatos nas crônicas de Limas Barreto e, pasmem, nas mesmas vias que costumam encher hoje!🤡 Ester trecho é de um documentário chamado “Enchente de verdade”, de 2010. Considerando o triste dia de hoje, parece que envelheceu como o vinho. Nos últimos posts que tratei sobre a situação carioca, fui imerecidamente acusada de me preocupar apenas com a capital fluminense, não dando destaque à situação brasileira. O que precisa ser levado em consideração é: a) eu não sou especialista em segurança pública; b) eu sou moradora do Rio. Eu não escolhi falar do Rio por escolha aleatória; eu moro aqui. Vou falar algo que deveria ser óbvio, mas aparentemente não é: falar de um lugar não implica dizer que outro não tenha problema. Ainda que toda a tragédia de hoje tenha acontecido longe da minha residência, eu mentiria se eu dissesse que não estou com medo. Eu estou. Moro no Bairro de Fátima, um sub-bairro colado na badalada Lapa, e hoje foi a primeira vez que testemunhei um profundo silêncio. Parece luto coletivo. Desde às 14h, comércio está completamente fechado. É um sentimento estranho ver um local agitado em completo silêncio, sem uma alma na rua. Lamento que meus posts sobre o caso pareçam mais pessoais do que os demais. Mas, não se enganem: são pessoais mesmo. Narcoterroristas estão usando drones para soltarem bombas na cidade em que eu vivo. Como pode não ser pessoal?
Esses teljornais ficam falando assim "E a chuva castiga os cariocas? São Pedro!" E aí fica esse negocinho de Olimpíada, Sérgio Cabral com aquela cara de tartaruga, Turchê, falando que tu rias cidade maravilhosa, São Igor. Só que é uma cidade governada por milícia,
Genteeeeeee!!!! PAREM AS MÁQUINAS!!!!🗣️ A deputada portuguesa @ritamariamatias citou nosso livro “Corrupção da linguagem, corrupção do caráter”, na câmara em Portugal!!!!🇵🇹 @nine.borg , nós estamos muito chiques sendo referenciadas no parlamento português!!!!💅🏾 Deputada Rita, muito obrigada por referenciar nosso trabalho. É uma alegria ver quão útil nosso livro está sendo para o debate público, inclusive do outro lado do Atlântico. E, claro, agradeço a querida @anacampagnolo por apresentar nosso livro à deputada Rita Maria; sempre generosa conosco. ♥️🇧🇷🇵🇹
A chamada diz que a “festa no esgoto” de Recife virou sensação entre jovens e escancara uma coisa: o nível de naturalização do absurdo. Um país em que parte da população convive com esgoto a céu aberto transforma a própria falência do saneamento em evento, conteúdo e espetáculo compartilhável. Há algo profundamente revelador quando a ausência de políticas básicas vira cenário de diversão. O esgoto deixa de ser escândalo público e passa a ser paisagem cultural. O problema estrutural é convertido em identidade, em experiência, em narrativa cool. Houve adesão voluntária àquilo que qualquer sociedade minimamente funcional tentaria evitar. Isso diz algo desconfortável sobre o momento cultural em que viver na degradação não causa vergonha, mas rende pertencimento. É fácil jogar tudo na conta do Estado, como se adultos fossem figurantes sem agência. A ausência de saneamento é um problema grave. A escolha de celebrar dentro dele é outra coisa. Uma coisa não explica a outra. Gente não cai em esgoto por engano; gente entra porque quer, porque acha engraçado, transgressor, “autêntico”, porque gera vídeo e aprovação. Existe um tipo de miséria que não é apenas material; é simbólica. É quando o parâmetro de dignidade cai tanto que o constrangimento desaparece. O esgoto deixa de ser algo a ser combatido e vira cenário de festa. Isso não é rebeldia nem crítica social; é acomodação estética da precariedade. É transformar decadência em entretenimento porque exigir mais dá trabalho e dançar no lodo rende curtida. O poder público falha há décadas. Isso é conhecido. O que chama atenção agora é outra coisa: cidadãos que, diante do fracasso, decidiram abraçá-lo com entusiasmo. O esgoto não obrigou ninguém a entrar. As pessoas foram. E isso deveria incomodar muito mais do que parece.
"Gigante pela própria natureza, És belo, és forte, impávido colosso" Rio 2016 com Paulinho da Viola ❤️
O presidente do PT no Rio de Janeiro e atual prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, afirmou que a megaoperação policial realizada ontem foi NECESSÁRIA. Essa declaração surpreendeu parte do seu campo político, já que a esquerda costuma criticar ações policiais em comunidades. Mas quem acompanha o que acontece em Maricá entende por que ele falou isso e por que não tinha como dizer outra coisa. Em setembro de 2025, a polícia fechou uma central clandestina de internet controlada pelo Comando Vermelho em um condomínio popular da cidade. Mais de mil moradores eram coagidos a contratar o serviço ilegal sob ameaça. O caso não é isolado. Em 2023, um comerciante foi expulso de casa por traficantes após uma briga entre vizinhos sobre esgoto. Ele, sua esposa e as duas filhas menores fugiram às pressas, e ele relatou estar jurado de morte. A polícia confirmou que outras famílias também foram ameaçadas na região. Diante dessa realidade, a fala de Quaquá não é uma exceção ideológica. É um reflexo direto do que ele vê como gestor. Em muitos territórios, o tráfico já não é apenas um grupo criminoso: é uma força que impõe regras, domina serviços e expulsa moradores. O próprio Quaquá, naquele tom tosco habitual, já afirmou que narcoterrorista na cidade dele “vai para a vala”. A fala é incomum entre políticos de esquerda, mas não é necessariamente pose para agradar eleitorado. É uma questão de sobrevivência institucional que, a intelligentsia e a mídia se recusam a admitir. Assista o vídeo até o final.
Aqui no Rio, nós temos, além de tiroteios e drones com bombas, frequentes enchentes. Não precisa ser uma chuva torrencial. Uma chuva modesta é o suficiente para transformar as principais vias da cidade em rios. É tão comum que há quem pense que jet ski pode ser um objeto viável.🤡 Na verdade, enchente é um evento tão histórico na cidade do Rio que você encontra relatos nas crônicas de Limas Barreto e, pasmem, nas mesmas vias que costumam encher hoje!🤡 Ester trecho é de um documentário chamado “Enchente de verdade”, de 2010. Considerando o triste dia de hoje, parece que envelheceu como o vinho. Nos últimos posts que tratei sobre a situação carioca, fui imerecidamente acusada de me preocupar apenas com a capital fluminense, não dando destaque à situação brasileira. O que precisa ser levado em consideração é: a) eu não sou especialista em segurança pública; b) eu sou moradora do Rio. Eu não escolhi falar do Rio por escolha aleatória; eu moro aqui. Vou falar algo que deveria ser óbvio, mas aparentemente não é: falar de um lugar não implica dizer que outro não tenha problema. Ainda que toda a tragédia de hoje tenha acontecido longe da minha residência, eu mentiria se eu dissesse que não estou com medo. Eu estou. Moro no Bairro de Fátima, um sub-bairro colado na badalada Lapa, e hoje foi a primeira vez que testemunhei um profundo silêncio. Parece luto coletivo. Desde às 14h, comércio está completamente fechado. É um sentimento estranho ver um local agitado em completo silêncio, sem uma alma na rua. Lamento que meus posts sobre o caso pareçam mais pessoais do que os demais. Mas, não se enganem: são pessoais mesmo. Narcoterroristas estão usando drones para soltarem bombas na cidade em que eu vivo. Como pode não ser pessoal?
Esses teljornais ficam falando assim "E a chuva castiga os cariocas? São Pedro!" E aí fica esse negocinho de Olimpíada, Sérgio Cabral com aquela cara de tartaruga, Turchê, falando que tu rias cidade maravilhosa, São Igor. Só que é uma cidade governada por milícia,
Genteeeeeee!!!! PAREM AS MÁQUINAS!!!!🗣️ A deputada portuguesa @ritamariamatias citou nosso livro “Corrupção da linguagem, corrupção do caráter”, na câmara em Portugal!!!!🇵🇹 @nine.borg , nós estamos muito chiques sendo referenciadas no parlamento português!!!!💅🏾 Deputada Rita, muito obrigada por referenciar nosso trabalho. É uma alegria ver quão útil nosso livro está sendo para o debate público, inclusive do outro lado do Atlântico. E, claro, agradeço a querida @anacampagnolo por apresentar nosso livro à deputada Rita Maria; sempre generosa conosco. ♥️🇧🇷🇵🇹
A chamada diz que a “festa no esgoto” de Recife virou sensação entre jovens e escancara uma coisa: o nível de naturalização do absurdo. Um país em que parte da população convive com esgoto a céu aberto transforma a própria falência do saneamento em evento, conteúdo e espetáculo compartilhável. Há algo profundamente revelador quando a ausência de políticas básicas vira cenário de diversão. O esgoto deixa de ser escândalo público e passa a ser paisagem cultural. O problema estrutural é convertido em identidade, em experiência, em narrativa cool. Houve adesão voluntária àquilo que qualquer sociedade minimamente funcional tentaria evitar. Isso diz algo desconfortável sobre o momento cultural em que viver na degradação não causa vergonha, mas rende pertencimento. É fácil jogar tudo na conta do Estado, como se adultos fossem figurantes sem agência. A ausência de saneamento é um problema grave. A escolha de celebrar dentro dele é outra coisa. Uma coisa não explica a outra. Gente não cai em esgoto por engano; gente entra porque quer, porque acha engraçado, transgressor, “autêntico”, porque gera vídeo e aprovação. Existe um tipo de miséria que não é apenas material; é simbólica. É quando o parâmetro de dignidade cai tanto que o constrangimento desaparece. O esgoto deixa de ser algo a ser combatido e vira cenário de festa. Isso não é rebeldia nem crítica social; é acomodação estética da precariedade. É transformar decadência em entretenimento porque exigir mais dá trabalho e dançar no lodo rende curtida. O poder público falha há décadas. Isso é conhecido. O que chama atenção agora é outra coisa: cidadãos que, diante do fracasso, decidiram abraçá-lo com entusiasmo. O esgoto não obrigou ninguém a entrar. As pessoas foram. E isso deveria incomodar muito mais do que parece.
"Gigante pela própria natureza, És belo, és forte, impávido colosso" Rio 2016 com Paulinho da Viola ❤️
O presidente do PT no Rio de Janeiro e atual prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, afirmou que a megaoperação policial realizada ontem foi NECESSÁRIA. Essa declaração surpreendeu parte do seu campo político, já que a esquerda costuma criticar ações policiais em comunidades. Mas quem acompanha o que acontece em Maricá entende por que ele falou isso e por que não tinha como dizer outra coisa. Em setembro de 2025, a polícia fechou uma central clandestina de internet controlada pelo Comando Vermelho em um condomínio popular da cidade. Mais de mil moradores eram coagidos a contratar o serviço ilegal sob ameaça. O caso não é isolado. Em 2023, um comerciante foi expulso de casa por traficantes após uma briga entre vizinhos sobre esgoto. Ele, sua esposa e as duas filhas menores fugiram às pressas, e ele relatou estar jurado de morte. A polícia confirmou que outras famílias também foram ameaçadas na região. Diante dessa realidade, a fala de Quaquá não é uma exceção ideológica. É um reflexo direto do que ele vê como gestor. Em muitos territórios, o tráfico já não é apenas um grupo criminoso: é uma força que impõe regras, domina serviços e expulsa moradores. O próprio Quaquá, naquele tom tosco habitual, já afirmou que narcoterrorista na cidade dele “vai para a vala”. A fala é incomum entre políticos de esquerda, mas não é necessariamente pose para agradar eleitorado. É uma questão de sobrevivência institucional que, a intelligentsia e a mídia se recusam a admitir. Assista o vídeo até o final.
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