@mentor_neto
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Tem um negócio que me chama a atenção na Gen Z. Pode ser que seja apenas um fenômeno pontual, da Gen Z que eu tenho em casa, mas acho que a Gen Z enterrou as piadas. Sabe como é? Não gostam. Nem das piadas inocentes, essas de salão. Tipo: – Sou o paraguaio e vim aqui para te matar. – Para que??? – Paraguaio. Odeiam. E olha que essa é uma piada universal. Dá para contar em velório de parente e até a viúva ri. Mas a Gen Z não gosta. Uma vez perguntei porque desse preconceito. A resposta foi: “Que graça tem uma situação que nunca aconteceu, criada só pra ser engraçadinha?” Não deixam de ter uma certa razão. Durma com essa Walter Matthau.
Já vimos isso antes, nas ruas, nas lojas, nas escolas. Alguém expondo seu racismo sem nenhum constrangimento. Depois vai presa, pede desculpa e fica tudo certo. Mas não é por isso que essa cena é especialmente emblemática. Essa cena é diferente, porque mostra a camada que está por baixo, velada, no preconceito da elite. A camada que motiva o racismo, a homofobia. A mulher olha de cima para baixo. Do alto do seu privilégio, do seu camarote, ela usa a cor da pele para avisar que os que são diferentes dela não são bem-vindos. Ela sabe que só é especial, porque existem os que não são. Se todos, pretos, gays, trans, pobres, estivessem no seu camarote, ela seria mais uma, insignificante. E isso é inaceitável, afinal, ela é especial, porque tem o dinheiro que faz a engrenagem girar. Se estivessem todos no camarote, quem lá embaixo olharia para ela com inveja? Então ela verbaliza, sem nenhum pudor. “Olha sua cor”. “Vai pra casa a pé”. “O prefeito não quer você”. “Come ali [capim?]”. Frases que significam a mesma coisa e não são apenas racistas. Frases que dizem “Vocês não vão sair daí de baixo nunca”. E isso não vai mudar. Nem com leis, nem com prisões, nem com chacinas nas favelas. Não vai mudar porque é assim que a elite foi educada, não só no Brasil, mas em boa parte do mundo. O que resta para quem não concorda com isso, é apoiar as políticas que vão contra esse estado de coisas. E torcer para o tempo passar rápido.
Olha a sua cor. Olha, gastaram o salário dele. Gastou o salário para vir, agora vai embora até. Olha o prefeito não quer.
O sujeito queria ser advogado. Estudou muito e passou no vestibular. Passou cinco anos na Faculdade. Quando terminou, se matou de estudar para fazer a prova da OAB. Aprovado! Então, sabe lá deus como, virou o advogado de um General num julgamento que já entrou para a história. Ele pede a palavra. Sua família, seus amigos, todo mundo torcendo para que ele brilhe. E, a despeito de todo seu preparo a custa de noites mal dormidas, é isso que ele declara: “…quero minimamente jantar.” É isso.
Tem um negócio que me chama a atenção na Gen Z. Pode ser que seja apenas um fenômeno pontual, da Gen Z que eu tenho em casa, mas acho que a Gen Z enterrou as piadas. Sabe como é? Não gostam. Nem das piadas inocentes, essas de salão. Tipo: – Sou o paraguaio e vim aqui para te matar. – Para que??? – Paraguaio. Odeiam. E olha que essa é uma piada universal. Dá para contar em velório de parente e até a viúva ri. Mas a Gen Z não gosta. Uma vez perguntei porque desse preconceito. A resposta foi: “Que graça tem uma situação que nunca aconteceu, criada só pra ser engraçadinha?” Não deixam de ter uma certa razão. Durma com essa Walter Matthau.
Já vimos isso antes, nas ruas, nas lojas, nas escolas. Alguém expondo seu racismo sem nenhum constrangimento. Depois vai presa, pede desculpa e fica tudo certo. Mas não é por isso que essa cena é especialmente emblemática. Essa cena é diferente, porque mostra a camada que está por baixo, velada, no preconceito da elite. A camada que motiva o racismo, a homofobia. A mulher olha de cima para baixo. Do alto do seu privilégio, do seu camarote, ela usa a cor da pele para avisar que os que são diferentes dela não são bem-vindos. Ela sabe que só é especial, porque existem os que não são. Se todos, pretos, gays, trans, pobres, estivessem no seu camarote, ela seria mais uma, insignificante. E isso é inaceitável, afinal, ela é especial, porque tem o dinheiro que faz a engrenagem girar. Se estivessem todos no camarote, quem lá embaixo olharia para ela com inveja? Então ela verbaliza, sem nenhum pudor. “Olha sua cor”. “Vai pra casa a pé”. “O prefeito não quer você”. “Come ali [capim?]”. Frases que significam a mesma coisa e não são apenas racistas. Frases que dizem “Vocês não vão sair daí de baixo nunca”. E isso não vai mudar. Nem com leis, nem com prisões, nem com chacinas nas favelas. Não vai mudar porque é assim que a elite foi educada, não só no Brasil, mas em boa parte do mundo. O que resta para quem não concorda com isso, é apoiar as políticas que vão contra esse estado de coisas. E torcer para o tempo passar rápido.
Olha a sua cor. Olha, gastaram o salário dele. Gastou o salário para vir, agora vai embora até. Olha o prefeito não quer.
O sujeito queria ser advogado. Estudou muito e passou no vestibular. Passou cinco anos na Faculdade. Quando terminou, se matou de estudar para fazer a prova da OAB. Aprovado! Então, sabe lá deus como, virou o advogado de um General num julgamento que já entrou para a história. Ele pede a palavra. Sua família, seus amigos, todo mundo torcendo para que ele brilhe. E, a despeito de todo seu preparo a custa de noites mal dormidas, é isso que ele declara: “…quero minimamente jantar.” É isso.
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