@carolina_damiao_
914posts
80.6Kfollowers
2.8Kfollowing
Vida para além da maternidade. Mãe solo em busca da aldeia prometida Atriz @naomechamedemae Escritora e produtora cultural
This account appears as recommended in the profiles of these creators:
Já vou começar dizendo que eu estou com a terapia em dia, ok e esse post, assim como todos os outros, mesmo que toque em pontos que convergem com a minha realidade, não é sobre mim. Isso aqui não é um reality show. Esse dia uma amiga me escreveu dizendo que tinha voltado pra terapia, mas que o dinheiro que estava ficando na terapia fazia muita falta e que isso também fazia mal pra ela. Ela leva a terapia assim há anos, se sacrificando para poder realizar ou se sacrificando em não poder realizar. Apesar de a terapia ser um divisor de águas, mesmo as mães das crianças atípicas sofrem para que os filhos possam realizar as terapia necessárias. Quem dirá como sofrem as mães em burnout e solitárias que vivem sem terapia? Ou seja, o direito ao acesso não é garantido. Ou seja: quem está pagando a conta de viver com mães adoecidas se não as próprias crianças? *** in bio Para lidar com a culpabilização leia o "Manual de Sobrevivência na Maternidade" *** Eu sou atriz, essa não é a minha vida, é a minha obra. Eu ficciono, retrato, roteirizo, recorto, edito, escrevo e gravo. Eu escuto outras mães e conto histórias. #maespossiveis #maesolo #carolinadamiao #rededeapoio #vidaparaalemdamaternidade #maternidadereal
Falhar com estratégia, é a nossa única chance. "Tô fazendo faxina que amanhã vem Fulani aqui." "Vou botar uma roupinha melhor na criança para ela não chegar assim toda mal vestida..." O tempo todo a gente segue lidando com essa voz que não dá trégua: a culpa. E, em nossa sociedade, o reforço dessas cobranças está presente em todos os ambientes; seja nos olhares, nas falas, nos gestos, até mesmo nos objetos, nas músicas, nas situações. A culpabilização materna é uma ferramenta de controle. Quem está envolto no sentimento de culpa torna-se manipulável com maior fácilidade. A romantização da maternidade possui o papel de disfarçar o mecanismo da culpabilização: a mãe que compra o ideal da mãe perfeita, também cobra que as outras o façam e pelo viés da compatição. Mais um reforço à rivalidade feminina: o que mais tem é mãe sendo cruel com outra mãe. Se por um lado a gente sente que só tem a gente mesmo, que só uma mãe pra entender a outra. Por outro lado a dor maior é não receber apoio nem de quem está passando pela mesma tempestade. Estamos sozinhas e rodeadas de chances de falhar. Que a gente comece a falhar com estratégia. Nossos filhos nos precisam vivas, não perfeitas. #maternidade #maternidadereal #maesolo #rededeapoio #carolinadamiao
Romantizaram tanto a maternidade que mães extremamente sobrecarregadas, mães destituídas de seus direitos mais básicos, mães em condições de des hu manidade passaram a ser exemplo de mães que "DÃO CONTA", de mães criam bem seus filhos, de mães que merecem serem elogiadas por suportarem toda e qualquer carga que lhes atribuírem. Usadas como exemplos de boas mães, principalmente, para silenciarem outras mães, as mães que vivem nas piores condições possíveis foram transformadas em estátuas glorificáveis do pa deCi mento no paraíso. Estas mães não recebem a ajuda que precisam, não tem seus direitos garantidos, dificilmente conseguirão sair da situação de escassez e mi sé r1@ em que se encontram. Essas mães, que são invisibilizadas o tempo todo, apagadas, omitidas, são colocadas à luz quando qualquer outra mãe, que viva uma situação ou condição um pouco menos complicada ou um pouco mais privilegiada (porque atualmente ter o mínimo é prívilégio dadas a fa lên c1a brutal das estruturas), então qualquer mãe que encontre uma luz no fim do túnel e perceba que a escuridão em que vivem não é a realidade e tenha o atrevimento de dizer: "eu não dou conta, precisa de mais gente aqui", ou qualquer coisa, e principalmente, algo que careça de auxílio alheio, receberá uma mãe em pior estado do que ela como exemplo de guerreira. Porque não basta ser guerreira, tem que guerrear até a última gota e sorrindo. E não é que alguma destas mães esteja sorrindo, nem que elas mesmas saibam que são exemplo, porque também ninguém deseja que mãe alguma saiba mesmo seu valor, ou pior, tenha consciência de sua falta de apoio. A verdade é que a mãe que já está mesmo muito mal está escutando que tem mãe em situação mais pre cária que ela mas que está feliz, como se o amor dos filhos bastasse, pagasse, resolvesse toda a falta. Porque nessa lógica até o amor dos filhos é colocado na concorrência pelo título de "boa mãe". E a romantização parece uma cama feita, macia, só que ela esconde em baixo das almofadas as amarras e as garras que da maternidade real. Fiquemos atentas. #maternidade #maternidadereal #carolinadamiao #rededeapoio #maesolo
Mas como assim você não dá conta? E a fulana que tem cinco filhos, três empregos, eu nunca vi a casa dela essa bagunça. E essa crana que acorda todo dia às cinco horas da manhã, prepara o almoço, deixa tudo pronto, leva os três filhos pra creche de ônibus e volta pra trabalhar, eu nunca vi ela reclamar. E a beultrana que tem um recém-nascido em casa,
Se não tem data, horário, função definida pra mais ninguém além de você,n não tem como você dizer que vai ter rede de apoio, entende? Se só você for considerada responsável, é porque você continua sozinha. O que as mães precisam são outras pessoas para compartilharem as responsabilidades, porque senão não existe alívio de sobrecarga. Lembram? É trabalho pra uma aldeia inteira, como diz o provérbio africano. "Ah, mas eu sei que..." Se sabe e se não tem medo, chega no papo pra se organizar de fato e veja quem seguirá te atendendo e te tratando bem. Veja quem fica e quem some quando você fala em responsabilidade. Muitas mães e famílias se mudam na expectativa da rede de apoio e chegando lá a rede não existe, porque da boca pra fora todo mundo cuida. Rede de apoio é feita por pessoas responsáveis, comprometidas. Se não tem constância não tem solução. Ajuda sempre é bem vinda, mas rede de apoio é vital. *** in bio Para lidar com a culpabilização leia o "Manual de Sobrevivência na Maternidade" *** Eu sou atriz, essa não é a minha vida, é a minha obra. Eu ficciono, retrato, roteirizo, recorto, edito, escrevo e gravo. Eu escuto outras mães e conto histórias. #maespossiveis #maesolo #carolinadamiao #rededeapoio #vidaparaalemdamaternidade #maternidadereal
A gente precisa ficar desenhando a realidade pra não ter como fingir que ela existe. Hoje eu conversei com uma mãe de três, home office e férias, e um burnout há pouco tempo, a única escolha dela? Desistir de um dos trabalhos, para aliviar a carga. Eu não perguntei, mas pensei na hora no impacto no orçamento, a curto, médio e longo prazo. Nós mulheres não fomos educadas a fazer escolhas que nos privilegiem e muito menos temos chances de fazê-las. O nível de privilégios que um homem precisa ter para ter alguma liberdade é infinitamente menor que o tanto de privilégio que uma mulher deve ter para poder sonhar com a liberdade. E estamos no país onde comida na mesa e teto, acesso básico a saúde e educação, 8h de sono já tá sendo considerado privilégio, porque a linha da pobreza cortando solto. Outra mãe me escreveu: teve um apagão recentemente, ainda não teve tempo de ir ao médico verificar se foi mesmo só uma crise de ansiedade. Nessa época de férias tem mãe que teve que largar o trabalho e agora está em casa passando o dia explicando porque é que precisa dizer tanto NÃO o dia inteiro. O nosso trabalho é o trabalho mais importante do mundo, não deveríamos ter que sofrer tanto para poder exercê-lo. As crianças deveriam poder crescer cuidadas por pessoas descansadas. E as mães também deveriam ser cuidadas. *** in bio Para lidar com a culpabilização leia o "Manual de Sobrevivência na Maternidade" *** Eu sou atriz, essa não é a minha vida, é a minha obra. Eu ficciono, retrato, roteirizo, recorto, edito, escrevo e gravo. Eu escuto outras mães e conto histórias. #maespossiveis #maesolo #carolinadamiao #rededeapoio #vidaparaalemdamaternidade #maternidadereal
Já vou começar dizendo que eu estou com a terapia em dia, ok e esse post, assim como todos os outros, mesmo que toque em pontos que convergem com a minha realidade, não é sobre mim. Isso aqui não é um reality show. Esse dia uma amiga me escreveu dizendo que tinha voltado pra terapia, mas que o dinheiro que estava ficando na terapia fazia muita falta e que isso também fazia mal pra ela. Ela leva a terapia assim há anos, se sacrificando para poder realizar ou se sacrificando em não poder realizar. Apesar de a terapia ser um divisor de águas, mesmo as mães das crianças atípicas sofrem para que os filhos possam realizar as terapia necessárias. Quem dirá como sofrem as mães em burnout e solitárias que vivem sem terapia? Ou seja, o direito ao acesso não é garantido. Ou seja: quem está pagando a conta de viver com mães adoecidas se não as próprias crianças? *** in bio Para lidar com a culpabilização leia o "Manual de Sobrevivência na Maternidade" *** Eu sou atriz, essa não é a minha vida, é a minha obra. Eu ficciono, retrato, roteirizo, recorto, edito, escrevo e gravo. Eu escuto outras mães e conto histórias. #maespossiveis #maesolo #carolinadamiao #rededeapoio #vidaparaalemdamaternidade #maternidadereal
Falhar com estratégia, é a nossa única chance. "Tô fazendo faxina que amanhã vem Fulani aqui." "Vou botar uma roupinha melhor na criança para ela não chegar assim toda mal vestida..." O tempo todo a gente segue lidando com essa voz que não dá trégua: a culpa. E, em nossa sociedade, o reforço dessas cobranças está presente em todos os ambientes; seja nos olhares, nas falas, nos gestos, até mesmo nos objetos, nas músicas, nas situações. A culpabilização materna é uma ferramenta de controle. Quem está envolto no sentimento de culpa torna-se manipulável com maior fácilidade. A romantização da maternidade possui o papel de disfarçar o mecanismo da culpabilização: a mãe que compra o ideal da mãe perfeita, também cobra que as outras o façam e pelo viés da compatição. Mais um reforço à rivalidade feminina: o que mais tem é mãe sendo cruel com outra mãe. Se por um lado a gente sente que só tem a gente mesmo, que só uma mãe pra entender a outra. Por outro lado a dor maior é não receber apoio nem de quem está passando pela mesma tempestade. Estamos sozinhas e rodeadas de chances de falhar. Que a gente comece a falhar com estratégia. Nossos filhos nos precisam vivas, não perfeitas. #maternidade #maternidadereal #maesolo #rededeapoio #carolinadamiao
Romantizaram tanto a maternidade que mães extremamente sobrecarregadas, mães destituídas de seus direitos mais básicos, mães em condições de des hu manidade passaram a ser exemplo de mães que "DÃO CONTA", de mães criam bem seus filhos, de mães que merecem serem elogiadas por suportarem toda e qualquer carga que lhes atribuírem. Usadas como exemplos de boas mães, principalmente, para silenciarem outras mães, as mães que vivem nas piores condições possíveis foram transformadas em estátuas glorificáveis do pa deCi mento no paraíso. Estas mães não recebem a ajuda que precisam, não tem seus direitos garantidos, dificilmente conseguirão sair da situação de escassez e mi sé r1@ em que se encontram. Essas mães, que são invisibilizadas o tempo todo, apagadas, omitidas, são colocadas à luz quando qualquer outra mãe, que viva uma situação ou condição um pouco menos complicada ou um pouco mais privilegiada (porque atualmente ter o mínimo é prívilégio dadas a fa lên c1a brutal das estruturas), então qualquer mãe que encontre uma luz no fim do túnel e perceba que a escuridão em que vivem não é a realidade e tenha o atrevimento de dizer: "eu não dou conta, precisa de mais gente aqui", ou qualquer coisa, e principalmente, algo que careça de auxílio alheio, receberá uma mãe em pior estado do que ela como exemplo de guerreira. Porque não basta ser guerreira, tem que guerrear até a última gota e sorrindo. E não é que alguma destas mães esteja sorrindo, nem que elas mesmas saibam que são exemplo, porque também ninguém deseja que mãe alguma saiba mesmo seu valor, ou pior, tenha consciência de sua falta de apoio. A verdade é que a mãe que já está mesmo muito mal está escutando que tem mãe em situação mais pre cária que ela mas que está feliz, como se o amor dos filhos bastasse, pagasse, resolvesse toda a falta. Porque nessa lógica até o amor dos filhos é colocado na concorrência pelo título de "boa mãe". E a romantização parece uma cama feita, macia, só que ela esconde em baixo das almofadas as amarras e as garras que da maternidade real. Fiquemos atentas. #maternidade #maternidadereal #carolinadamiao #rededeapoio #maesolo
Mas como assim você não dá conta? E a fulana que tem cinco filhos, três empregos, eu nunca vi a casa dela essa bagunça. E essa crana que acorda todo dia às cinco horas da manhã, prepara o almoço, deixa tudo pronto, leva os três filhos pra creche de ônibus e volta pra trabalhar, eu nunca vi ela reclamar. E a beultrana que tem um recém-nascido em casa,
Se não tem data, horário, função definida pra mais ninguém além de você,n não tem como você dizer que vai ter rede de apoio, entende? Se só você for considerada responsável, é porque você continua sozinha. O que as mães precisam são outras pessoas para compartilharem as responsabilidades, porque senão não existe alívio de sobrecarga. Lembram? É trabalho pra uma aldeia inteira, como diz o provérbio africano. "Ah, mas eu sei que..." Se sabe e se não tem medo, chega no papo pra se organizar de fato e veja quem seguirá te atendendo e te tratando bem. Veja quem fica e quem some quando você fala em responsabilidade. Muitas mães e famílias se mudam na expectativa da rede de apoio e chegando lá a rede não existe, porque da boca pra fora todo mundo cuida. Rede de apoio é feita por pessoas responsáveis, comprometidas. Se não tem constância não tem solução. Ajuda sempre é bem vinda, mas rede de apoio é vital. *** in bio Para lidar com a culpabilização leia o "Manual de Sobrevivência na Maternidade" *** Eu sou atriz, essa não é a minha vida, é a minha obra. Eu ficciono, retrato, roteirizo, recorto, edito, escrevo e gravo. Eu escuto outras mães e conto histórias. #maespossiveis #maesolo #carolinadamiao #rededeapoio #vidaparaalemdamaternidade #maternidadereal
A gente precisa ficar desenhando a realidade pra não ter como fingir que ela existe. Hoje eu conversei com uma mãe de três, home office e férias, e um burnout há pouco tempo, a única escolha dela? Desistir de um dos trabalhos, para aliviar a carga. Eu não perguntei, mas pensei na hora no impacto no orçamento, a curto, médio e longo prazo. Nós mulheres não fomos educadas a fazer escolhas que nos privilegiem e muito menos temos chances de fazê-las. O nível de privilégios que um homem precisa ter para ter alguma liberdade é infinitamente menor que o tanto de privilégio que uma mulher deve ter para poder sonhar com a liberdade. E estamos no país onde comida na mesa e teto, acesso básico a saúde e educação, 8h de sono já tá sendo considerado privilégio, porque a linha da pobreza cortando solto. Outra mãe me escreveu: teve um apagão recentemente, ainda não teve tempo de ir ao médico verificar se foi mesmo só uma crise de ansiedade. Nessa época de férias tem mãe que teve que largar o trabalho e agora está em casa passando o dia explicando porque é que precisa dizer tanto NÃO o dia inteiro. O nosso trabalho é o trabalho mais importante do mundo, não deveríamos ter que sofrer tanto para poder exercê-lo. As crianças deveriam poder crescer cuidadas por pessoas descansadas. E as mães também deveriam ser cuidadas. *** in bio Para lidar com a culpabilização leia o "Manual de Sobrevivência na Maternidade" *** Eu sou atriz, essa não é a minha vida, é a minha obra. Eu ficciono, retrato, roteirizo, recorto, edito, escrevo e gravo. Eu escuto outras mães e conto histórias. #maespossiveis #maesolo #carolinadamiao #rededeapoio #vidaparaalemdamaternidade #maternidadereal
Unlock full access to all creators
You're viewing the first 5 creators. Subscribe to see all results and access advanced filters.
Upgrade to Pro